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A Luta de classes no século XXI: Da opressão financeira à esperança de uma nova globalização

Tempo de Leitura: 4 minutos

Vivemos sob um paradoxo cruel. De um lado, sofremos a opressão de tiranos e de uma elite financeira que, tem o poder de corromper a política visando manter seus privilégios. Do outro, vemos o cotidiano violento de quem se revolta, mas, sem “juízo” ou consciência de classe, acaba reproduzindo no seu dia a dia a mesma violência que sofre.

Como entender essa dinâmica onde o oprimido, sem a consciência das causas da injustiça que o cerca, por vezes pode se tornar um espelho do opressor? Para desvendar esse cenário, buscamos fundamentos na sociologia e economia crítica brasileira (USP, UFRJ, UFF) e no pensamento progressista global.


A Engrenagem da Desigualdade: O Dreno Financeiro

A exploração moderna não acontece apenas no chão da fábrica com a exploração da mao de obram ; ela se sofisticou através do sistema financeiro. O economista e professor da PUC-SP (com vasta circulação na USP e UFRJ), Ladislau Dowbor, explica brilhantemente este fenômeno em sua obra sobre a “Era do Capital Improdutivo”.

No Brasil e em países do terceiro mundo, a elite não precisa mais necessariamente “produzir” para enriquecer. O mecanismo funciona assim:

  1. Juros Abusivos e Dívida Pública: O Estado paga juros altíssimos para detentores de títulos da dívida (a elite rica).
  2. Transferência de Renda: O dinheiro dos impostos, pago majoritariamente pelos pobres e classe média no consumo, não tem investimentos em escolas ou hospitais a altura da porcentagem do PIB que é reservada pagar os juros da dívida pública.
  3. Dependência Externa: Para manter investimentos e garantir depósitos em dólar, países periféricos leiloam os seus recursos naturais, entregando-os a preços baixos para potências estrangeiras, enquanto sua população empobrece.

Como Dowbor aponta, isso cria um sistema onde “quem trabalha não tem dinheiro, e quem tem dinheiro não trabalha”. O Professor Ladislau Dowbor diz: – “Que o sistema financeiro moderno drena a riqueza gerada pelo trabalho, favorecendo o rentismo e os detentores do capital, enquanto o trabalhador fica com menos recursos e endividado, num processo que ele chama de “dreno financeiro”, onde o dinheiro “não nosso” (dos ricos) se concentra, e o “nosso” (dos trabalhadores) é sugado por juros e taxas, dificultando o acesso real ao capital e à riqueza.” 

A Cegueira Social e a “Elite do Atraso”

Se a exploração é tão óbvia, por que parte da população brasileira se revolta de forma desorganizada, por vezes cometendo crimes uns contra os outros?

O sociólogo Jessé Souza (ex-presidente do IPEA e pesquisador com trânsito na UFF e outras federais) nos dá a chave em A Elite do Atraso. Ele argumenta que a elite brasileira herdou o ódio aos pobres da escravidão. Essa elite utiliza a mídia e o sistema político para criminalizar a política popular, socialistas comunistas, e esconder a verdadeira luta de classes.

Sem acesso a essa leitura crítica, as classes menos favorecidas ficam presas no que o geógrafo Milton Santos (USP) chamava de “perversidade da globalização”. Santos explicava que a globalização atual impõe uma “fábula” de prosperidade, mas entrega uma realidade de exclusão. O cidadão da periferia, sentindo-se invisível e sem futuro, muitas vezes explode em revolta. Sem direção política, essa revolta pode virar criminalidade — uma tentativa desesperada e distorcida de acessar o consumo que lhe é negado.

Uma Conexão Global: O Socialismo Democrático

Essa não é uma exclusividade do Brasil. Nos Estados Unidos, o senador Bernie Sanders tem sido a voz que conecta a dor da classe trabalhadora global. Ao defender o Socialismo Democrático, Sanders não prega autoritarismo, mas sim o fim da obscenidade onde 1% da população detém mais riqueza que os 99% restantes.

Sanders, assim como os pensadores brasileiros citados, defende que a economia deve servir às pessoas, e não o contrário. O discurso dele ressoa com a nossa realidade: a luta contra uma oligarquia que domina recursos, corrompe a democracia e condena gerações à escassez.


Conclusão: O Caminho para a Abundância e a Paz

Analisar a opressão não serve para nos desanimar, mas para nos orientar. As pesquisas desenvolvidas em centros de excelência como UFRJ, UFF e USP nos mostram que a pobreza não é natural; ela é um projeto político e econômico.

A esperança reside na tomada de consciência. Como ensinava Milton Santos, existe espaço para uma “outra globalização”, mais humana e solidária. O caminho para a paz e a abundância para as gerações futuras passa por:

  • Educação Crítica: Entender como os juros e a dívida afetam o nosso bolso.
  • Reforma Política: Tirar o poder das mãos do capital especulativo.
  • Solidariedade de Classe: Entender que a luta do trabalhador brasileiro é a mesma do trabalhador global.

Quando o povo compreende quem é o verdadeiro adversário, a revolta deixa de ser violência cega e se torna força de transformação para o progresso da sociedade.


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